Precisamos formar novos campeões e atletas para disputar o pódio olímpico em 2016. Não podemos fazer uma grandiosa festa sem medalhas brasileiras. O tempo todo se fala nisso, mas pouco se aborda da importância do atleta que está em processo de transição do final de carreira nos diversos palcos das competições.
As conquistas e derrotas de um atleta são ensinamentos levados para a vida toda, mas o mundo das competições não é infinito. Parar é sempre um momento da reflexão e de questionamento. O que fazer agora?
A transição de carreira é um processo de transformação do que éramos para o que queremos ser. É importante pensar no futuro durante o período competitivo com o aprimoramento em atividades voltadas à educação profissional. Fato este muito incomum na grande maioria dos atletas brasileiros de alto rendimento, principalmente pela falta de tempo que os treinos e competições proporcionam.
A escolha por ser atleta é levada pela paixão, amor, aptidão, disciplina, motivação, engajamento, a busca da perfeição para vencer desafios em uma carreira realmente apaixonante. Porém, cada vez mais curta. Estes fatores e valores são essenciais e de suma importância para um novo momento, quando o atleta se depara com a realidade de não mais competir, sem ter tido tempo de se preparar para uma segunda profissão.
A gestão esportiva no Brasil passa por uma grande transformação motivada pelo crescimento da indústria do esporte, pela necessidade de maior profissionalização. Este é um caminho sem volta, para uma década que representa muito ao Brasil nesse campo – algo que talvez não acontecerá nem no próximo século.
Gestão no mundo corporativo é entender de planejamento estratégico, criar processos, estruturar o marketing, comercializar produtos e serviços, ter controles financeiros e contábeis, saber equilibrar receitas e despesas, entender as questões jurídicas e gerenciar pessoas. Estes fatores, com certeza, não fazem parte da atividade de um atleta.
Buscar novos conhecimentos e habilidades, no momento de transformação de carreira, combinados com valores trazidos na formação como atleta – como o trabalho em equipe, foco no resultado, determinação, respeito, hierarquia e regras –, com certeza contribuem para os desafios de uma nova profissão fora das competições, além de ajudar na formação de novos atletas e encurtar as distâncias da gestão esportiva com a realidade do mundo corporativo.
O Comitê Olímpico Brasileiro é hoje um exemplo do bom aproveitamento de ex-atletas e técnicos que se destacaram por seus resultados olímpicos e pan-americanos e que, posteriormente, se qualificaram para uma segunda profissão. Podemos citar Paulinho Villas Boas, Sebastian Pereira, Agberto Guimarães, e Soraya Carvalho que agora são alguns dos executivos por trás da grande expectativa de resultados do “Time Brasil” nos Jogos Olímpicos Rio 2016.
Fonte: Lance